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A Associação Baiana de Cegos realizou no último dia 21 de setembro, o I Seminário ABC – Promovendo a Inclusão, que foi composto por palestras proferidas por participantes de instituições parceiras e cujo objetivo foi de socializar informações relacionadas às particularidades das pessoas com deficiência, tendo como principal abordagem o processo de inclusão através do acesso a informações disponibilizadas por meio de conscientização e interação com setores da sociedade, sobretudo com empresas públicas e privadas de Salvador.
O seminário teve o patrocínio da Faculdade São Salvador e foi realizado no Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, que foi criado Em 1982 por diversas entidades nacionais e foi instituído oficialmente pela Lei 11.133, de julho de 2005. Essa data foi escolhida pela proximidade com a primavera e o dia da árvore numa representação do nascimento das reivindicações, por milhares de pessoas com deficiência, de cidadania e participação plena em igualdade de condições. O I Seminário ABC vem valorizar o mês de aniversário da Associação Baiana de Cegos, que completou 26 anos de luta pelos direitos das pessoas com deficiência visual e de relevantes serviços prestados para a sociedade.
Na oportunidade, aconteceram relevantes debates sobre os dilemas de inclusão das pessoas com deficiência, sobretudo das pessoas com deficiência visual, com a participação da ABADEF (Associação Baiana de Deficientes Físicos), APADA (Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos), CAP (Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Visuais), APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), APALBA (Associação das Pessoas com Albinismo da Bahia), ICB (Instituto de Cegos da Bahia), GVCLC (Grupo de Voluntários Copistas e Ledores para Cegos), Vida Brasil, Unidade CAPAZ da SETRE, Coordenadoria de Educação Especial da SEC-BA e Biblioteca Pública do Estado da Bahia.
Segundo João Bosco, presidente da Associação Baiana de Cegos, “interações como estas são importantes para que possamos travar um diálogo com os diversos setores da sociedade, favorecendo uma real inclusão por meio de uma conscientização que vem divulgar a autonomia profissional e educacional das pessoas com deficiência, bem como evitar que, ao descer em um shopping, aeroporto ou rodoviária, um funcionário, desapercebido, venha me guiar, puxando pela ponta da bengala, ato que, por incrível que pareça, é comum em muitos lugares.”
Os trabalhos tiveram início pela manhã, com mesa de abertura que foi composta pelas autoridades presentes e seguiram com mesas que visaram favorecer a quebra de mitos e estereótipos, para anular preconceito e gerar uma real inclusão. A primeira mesa, cujo tema foi “Interação social e a convivência com a diversidade”, abordou as particularidades dos diversos segmentos de pessoas com deficiência, propagando informações sobre como lidar com a diversidade humana. Esta mesa contextualizou o real objetivo do I Seminário ABC de estabelecer um proveitoso diálogo com diversos setores da sociedade, proporcionando uma interação efetiva capaz de transformar pessoas e ambientes.
Na mesa seguinte, sob o tema “Acesso a tecnologia, comunicação e informação como forma de inclusão”, o Professor Doutor Teófilo Galvão Filho apresentou as tecnologias assistivas, que são os dispositivos, técnicas e processos que proporcionam a autonomia para pessoas com algum tipo de deficiência. O público pôde conhecer, desde os leitores de tela que permitem a plena utilização de computadores por pessoas cegas, até novidades como um software que utiliza a webcam para reconhecer o movimento do nariz e dos olhos, para que uma pessoa sem o movimento dos braços possa digitar e comandar o mouse. Essa mesa contou também com a participação da Professora Doutora Eliana Franco, coordenadora do TRAMAD da UFBA, que apresentou a audiodescrição, um recurso de tradução audiovisual para deficientes visuais, que ainda era desconhecido pela marioria dos presentes e que, a partir de 1º de julho de 2011, teve instituída no Brasil a sua obrigatoriedade na programação de tv aberta e de sinal digital. Além disso, foi abordado o desenho universal, bem como os serviços inclusivos prestados pela Biblioteca Pública do Estado da Bahia.
A primeira mesa da tarde, cujo tema foi “Empoderamento das Pessoas com Deficiência X Indiferença social”, foi composta por quatro pessoas cegas, conhecedores de causa que abordaram as conquistas das pessoas com deficiência na sociedade e o seu direito de tomarem o poder de suas próprias vidas, vindo de encontro ao pensamento equivocado da sociedade que não reconhece essa realidade, nutrindo idéias preconcebidas, que preferem imaginar que o deficiente visual é sinônimo de reclusão e improdutividade, ao invés de enxergar o trabalho como o dos participantes da mesa, pessoas cegas que desempenham muito bem a advocacia, a administração e as atividades de pedagogo, mestre, doutorado, procuradoria do Estado etc.
Na última mesa de um dia produtivo, foram discutidas a empregabilidade e as práticas esportivas das pessoas com deficiência, onde foram abordadas dilemas que envolvem o cumprimento das cotas, além dos encaminhamentos e controles desempenhados pela Unidade CAPAZ, órgão da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, que é responsável pela inscerção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Foi apresentado, pelo professor Antônio Bahia, práticas esportivas, como o futebol de cinco para cegos, onde a seleção brasileira é a atual campeã mundial, tendo conquistado o título ano passado na Inglaterra. A Academia Alabama participou da mesa, apresentando o seu diferencial em disponibilizar os seus serviços para as pessoas com deficiência visual.
O público do seminário foi formado por pessoas com deficiência, tendo sido priorizada, inicialmente, através de convite, a inscrição de gestores e funcionários de empresas de transporte público, shoppings e administradores de aeroportos e rodoviárias, tendo sido abertas as inscrições para o público em geral.
“Na oportunidade, tivemos a presença de representantes dos três setores, tendo acolhido o nosso convite e aproveitado a prioridade de inscrição, coordenadores e funcionários do Shopping Center Lapa, Shopping Piedade, as empresas de transporte público BTU e Rio Vermelho, além da Setps, Infraero e Sinart, sendo que recebemos feed back de muitos deles, agradecendo pela oportunidade e reinvidicando um próximo seminário.”, disse Jean Abreu, diretor social e coordenador do seminário.
A próxima edição do Seminário ABC já está em fase de estruturação, para que seja fortalecida a idéia de que a inclusão é gesto que exige a disposição de todos os envolvidos para o encontro, o diálogo, a troca e o enriquecimento mútuo, em uma união de forças que é fundamental para que possamos trabalhar juntos no estabelecimento de soluções que garantam a verdadeira inclusão das pessoas com deficiência e a quebra de mitos e estereótipos, para anular preconceito e gerar uma real inclusão.
Mais informações do I Seminário ABC no endereço http://www.abcegos.org.br/seminarioabc. Siga-nos também no twitter @abcegos.
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